Os fãs de histórias em quadrinhos foram pegos de surpresa em junho de 2018 com a notícia de que, depois de 68 anos, os gibis da Disney não seriam mais publicados no Brasil.
As revistas do Mickey, Pato Donald, Zé Carioca, entre outros personagens, tão presentes no imaginário nacional e até então publicados pela, hoje, falimentar Editora Abril, não traziam nenhuma informação sobre a descontinuidade dos títulos. Porém, os assinantes das revistinhas foram avisados de que aqueles seriam os últimos números a serem publicados no Brasil.
A tristeza que tomou conta dos leitores foi transformada em esperança quando, em dezembro do ano passado, veio a informação de que a Editora Culturama voltaria a publicar os títulos no país.
E voltou! Em março, chegaram às bancas as edições número zero dos seis títulos mensais que a editora passará a publicar: Mickey, Pateta, Tio Patinhas, Superaventuras Disney e Pato Donald.
Depois de quase 70 anos, essa foi a primeira vez que os gibis da Disney tiveram sua numeração zerada.
Paulo Maffia, editor de quadrinhos da Culturama, destaca que desde 2015 a empresa detém os direitos de publicar livros da Disney no Brasil. “Isso facilitou para que fôssemos escolhidos para a publicação de quadrinhos”, diz o editor.
Zé Carioca
Um dos títulos que ficou de fora dessa nova fase da Disney foi Zé Carioca. Maffia, no entanto, tranquiliza os fãs: está nos planos da editora a publicação de histórias do animado papagaio verde. “Primeiro temos que nos estabelecer. Também há questões contratuais que dependem da aprovação da empresa americana. Queremos retomar os personagens Disney tão amados no Brasil e que tinham deixado de ser publicados em revistas mensais”, garante.
O editor esclarece que as histórias das novas revistas são inéditas e que a ideia é resgatar os leitores que haviam ficado órfãos. “É uma das mais duradouras relações de uma marca com o público brasileiro, ou seja, faz parte da vida de muita gente. O público para esses gibis é muito variado: de 3 a 101 anos é quem lê quadrinhos Disney no Brasil”, afirma.
A professora aposentada Maria Irinéia Fernandes é um exemplo do tipo de relação que o leitor brasileiro tem com os personagens. “Me sinto criança novamente lendo essas histórias. Adorava as aventuras do Mickey e do Pateta quando, por exemplo, eles tinham que desvendar algum mistério” diz.
Como consta do editorial das novas revistas, muita gente, nesses últimos quase 70 anos, foi alfabetizada lendo as histórias do Mickey, Tio Patinhas e Pato Donald, inclusive este jornalista.
A volta do “formatinho”
Com 64 páginas cada uma, as revistas virão no tamanho conhecido como “formatinho”. As capas são em papel couchê e o preço sugerido nas bancas é de R$ 6. Há a opção de cadastrar o interesse em participar de um Clube de Assinaturas por meio do site www.culturama.com.br.